Dilma não tinha habilidade política e se deu mal. E Bolsonaro, no que vai dar?


Contam em Brasília que certa vez Ulysses Guimarães, o maestro da Constituição de 1988, descia a Esplanada dos Ministérios. Numa esquina, o motorista perguntou:

— Esquerda ou direita, Dr. Ulysses?

E ele, de bate pronto:

— Sinalize à esquerda, mas dobre à direita.

O episódio era sempre usado para ilustrar a fineza da sagacidade no jogo político, uma habilidade que só os bem sucedidos na arte de dizer não sem machucar.

Com Guedes

É uma habilidade que Dilma não tem, e se deu mal. Bolsonaro não tem, e ninguém sabe no que vai dar. Veja você. Semana passada, no encontro com os governadores do Nordeste, quando soube que o ministro Paulo Guedes (Economia) disse que se a reforma da Previdência não passar, ele cai fora. A fala foi um show de amadorismo:

— Ninguém é obrigado a continuar. Logicamente ele está vendo uma catástrofe.

Percebeu que poderia causar um terremoto (especialmente na economia), puxou o freio e recuou. Disse nas redes sociais que ‘o casamento’ dele com Guedes ‘está mais forte do que nunca’.

Ora bolas, Bolsonaro (com a ajuda familiar) esbanja inabilidade criando uma sucessão de agendas negativas para ele próprio. A Previdência nem aconteceu e ele já anunciou o corte de verbas nas universidades. Nem bem isso sarou, outra agenda do mal, o decreto que liberava fuzil. Se Ulysses visse isso diria que assim não vai dar.



Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.



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