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POVO PRETO RACISMO

Conselho de propaganda condena Bombril em caso de racismo por nome de produto

Empresa do setor de limpeza foi advertida pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) em razão da esponja “Krespinha” com unanimidade de votos; decisão foi publicada em 18 de agosto

24/08/2020 14h40
Por: REDAÇÃO Fonte: YAHOO NOTICIAS
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A empresa Bombril, dona da marca “Krespinha”, foi acusada de racismo em julho por conta do nome e do material publicitário da marca de esponja de aço “Krespinha”. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), por unanimidade no seu conselho de Ética, determinou a sustação dos anúncios, da marca e da embalagem. A sentença condenatória, fundamentada em cinco artigos do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitário, foi publicada na terça (18).

“O anúncio é racista, uma vez que associa o cabelo crespo, comum nas pessoas negras, a produto para limpeza pesada, esponja de aço inox”, diz a denúncia. Além do cancelamento da campanha, a empresa foi advertida pelo órgão de autorregulamentação.

“É de conhecimento de toda a sociedade que crespo também é o nome dado, e em muitas situações de forma pejorativa, a um determinado tipo de cabelo, comum em pessoas negras, e ao fazer isso, o anúncio acentuou sua falta de respeito e responsabilidade com as pessoas que possuem esse tipo de cabelo”, diz um trecho do voto da relatora Camila Moreira, que foi acompanhado pelos 15 representantes da Sétima Câmara do Conselho de Ética do Conar.

Uma frente parlamentar de deputados negros encaminhou uma representação ao Conar para reforçar a denúncia de racismo. O documento é assinado por Áurea Carolina (PSOL-MG), Talíria Petrone (PSOL- RJ), Benedita da Silva (PT-RJ), Orlando Silva (PCdoB-SP), Bira do Pindaré (PSB-MA), entre outros parlamentares.

“É uma decisão histórica porque traz a força a luta antirracista para transformar imagens e discursos que são utilizados, em particular na publicidade, para reproduzir estereótipos e preconceitos”, afirma a deputada federal Áurea Carolina (PSOL-MG), que participou do julgamento como representante dos denunciantes.

A ação contra a propaganda racista da Bombril chegou ao Conar pela denúncia de consumidores, do Movimento Nacional dos Direitos Humanos e parlamentares. No julgamento, foi destacada a manifestação de “milhares  de consumidores de  todo o Brasil”.

Quando a repercussão da revolta contra o produto racista da Bombril viralizou na internet, a empresa divulgou uma nota afirmando que não era racista e pediu “sinceras desculpas a toda a sociedade”. No julgamento, porém, a empresa mudou o tom e tentou desvincular o produto de alguma associação com o racismo. 

“O significado da palavra ‘crespo’ no dicionário, de onde deriva-se ‘krespinha’, afirma que a marca faz alusão a superfícies ásperas e conexão ao seu uso atrelado à limpeza. O nome não faz alusão racista e a marca existe há 70 anos e não há qualquer motivo plausível que justifique a autuação”, argumentou a defesa da empresa. 

No voto, a conselheira Camila também fez uma análise do contexto histórico para sustentar a decisão. “Antes determinadas situações, ‘brincadeiras’ e falas eram toleradas e até aceitas, mas agora não. Vivemos outro momento e especificamente nos dias de hoje, tendo em vista os últimos acontecimentos, em especial todas as manifestações e movimentos que o triste episódio de George Floyd desencadeou/reforçou, o debate sobre a discriminação racial está muito forte e em destaque”, considera.

Ao todo, o Conar recebeu 1.873 queixas contra o produto da Bombril. “A Anunciante, assim como toda sociedade precisa entender que o contexto social mudou, evoluiu, talvez a Anunciante não tenha levado em consideração a mudança de percepção do nome e essa mudança de postura e tolerância na sociedade, por isso é tão importante ouvirmos as queixas e não simplesmente falarmos que são inverídicas, como o fez a anunciante”, diz outro trecho da sentença.

O Alma Preta procurou a Bombril para repercutir a sentença condenatória e até a publicação deste texto a empresa não se posicionou.

 

Texto: Juca Guimarães Edição: Nataly Simões

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