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SAÚDE COVID - 19

Os únicos 10 países que não tiveram nenhum caso de covid-19 até hoje

Noticias

24/08/2020 19h44
Por: REDAÇÃO Fonte: BBC NEWS
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Quase todos os países do mundo — exceto 10 — tiveram casos de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Mas como eles conseguiram chegar até aqui sem nenhum infectado? - A pequena ilha de Palau, no Oceano Pacífico, é um deles.

A base de sua economia é o turismo. Em 2019, 90 mil turistas chegaram ao país, cinco vezes sua população total. Em 2017, dados do FMI (Fundo Monetário Internacional) mostraram que o turismo responde por 40% de seu PIB (Produto Interno Bruto, ou a soma das riquezas de um país).

Mas essa realidade mudou com a covid-19. As fronteiras de Palau estão, de fato, fechadas desde o final de março. É um dos 10 países do mundo sem casos confirmados (excluindo Coreia do Norte e Turcomenistão).

Mesmo assim, sem infectar uma única pessoa, o vírus deixou um rastro de destruição no país. Hotéis estão fechados. Restaurantes, vazios. As lojas também não estão funcionando.

Países sem casos de covid-19

Palau

Micronésia

Ilhas Marshall

Nauru

Kiribati

Ilhas Salomão

Tuvalu

Samoa

Vanuatu

Tonga

"O oceano aqui é muito mais bonito do que em qualquer outro lugar do mundo", diz Brian Lee, gerente e coproprietário do Palau Hotel, o mais antigo do país. É o oceano azul-celeste que manteve Lee ocupado. Antes da covid-19, seus 54 quartos tinham uma taxa de ocupação de 70% -80%. Mas quando as fronteiras se fecharam, não havia mais hóspedes.

"É um país pequeno, então a população local não vai ficar em Palau", diz. Ele tem cerca de 20 funcionários e mantém todos empregados, ainda que com jornada reduzida. "Tento encontrar empregos para eles - manutenção, reforma e assim por diante", diz ele. Mas os hotéis vazios não podem ser mantidos e reformados para sempre. "Posso ficar mais meio ano", diz Brian. "Então, talvez tenha que fechar." Lee não culpa o governo, que ofereceu apoio financeiro aos moradores e, afinal, manteve o vírus longe.

"Acho que eles fizeram um bom trabalho", diz. Mas, se o primeiro hotel de Palau quiser sobreviver, algo precisa mudar logo. O presidente anunciou recentemente que as viagens aéreas "essenciais" poderiam ser retomadas em 1º de setembro. Enquanto isso, houve rumores de um "corredor aéreo" com Taiwan, que permitiria a visita de turistas.

Para Lee, isso tem que acontecer o mais breve possível. "Acho que eles precisam reabrir novamente — talvez com 'bolhas de viagens' com a Nova Zelândia e outros países", diz ele. "Caso contrário, ninguém vai sobreviver aqui." Cerca de 4 mil km a leste, as Ilhas Marshall também permanecem livres da covid-19. Mas, assim como Palau, o impacto também foi sentido.

O Hotel Robert Reimers fica em uma faixa de terra no atol principal, Majuro, com uma lagoa de um lado e o oceano do outro. Antes da covid-19, os 37 quartos tinham uma taxa de ocupação de 75% - 88%, com hóspedes principalmente da Ásia, Pacífico ou "do continente" (Estados Unidos).

Desde o fechamento das fronteiras no início de março, essa taxa tem sido de 3% a 5%. "Recebemos alguns vindos de outras ilhas", diz Sophia Fowler, que trabalha para o grupo hoteleiro. "Mas não muito." Nacionalmente, o país deverá perder mais de 700 empregos com a crise da covid-19, a maior queda desde 1997. Desses, 258 serão no setor de hotelaria e de restaurantes.

Mas o autoisolamento afeta mais do que o turismo — e as Ilhas Marshall são muito menos dependentes dos turistas do que Palau. Um problema maior é a indústria pesqueira. Para manter o país livre de covid-19, os barcos que estiveram em países infectados estão proibidos de entrar nos portos do país. Outras embarcações, incluindo petroleiros e navios-contêineres, devem passar 14 dias no mar antes de entrar. As licenças de pesca não foram vendidas e os voos de carga foram cortados.

O impacto é nítido. As Ilhas Marshall são especializadas em peixes de aquário — o mais popular é o peixe-anjo-chama — mas as exportações caíram 50%, de acordo com um relatório do governo americano. As vendas de atum caíram em igual proporção. Outras indústrias pesqueiras esperam uma queda de 30% durante o ano.

Sophia diz esperar que o país volte ao normal no ano que vem, e que seu hotel possa receber turistas novamente. Mas e se isso não acontecer? "Então, simplesmente não será viável para nós", diz ela.

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