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BAHIA OPINIÃO

Artigo: O NEGÓCIO DO SISAL AMEAÇADO

É importante chegar a um meio termo para que nenhuma das partes seja prejudicada, já que essa é uma realidade trabalhista com a qual convivemos há décadas sob o manto dos poderes constituídos.

30/10/2020 14h03 Atualizada há 1 mês
Por: REDAÇÃO Fonte: Renilson Pinto
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Talvez você não saiba, mas o sisal não é um vegetal nativo do semiárido baiano, é originário da península de Yucatán, no México, como se adaptou ao semiárido devido às condições climáticas e socioeconômicas adequadas, tornou-se um produto comercial e é por isso que Conceição do Coité se destaca na região sisaleira com as indústrias de fios e comércio diversificado e como principal exportador desse produto no Brasil. 

Desde o final de semana, corre à boca miúda, nas mídias sociais e nas ruas que desde meados do mês de outubro deste ano o Ministério Público do Trabalho (MPT) tem realizado uma operação contra o trabalho análogo à escravidão nas áreas agrícolas onde tem motor do sisal e proibido trabalhadores de continuarem suas tarefas até que seja regularizada a situação trabalhista. Nos áudios, trabalhadores falam assustados que tudo isso está ocorrendo devido a uma reportagem investigativa produzida e exibida pela TV Record em 07 de agosto em rede nacional.

Após a secagem os fios estão prontos para produção fábril

 

Os áudios que correm nos grupos de whatsapp mostram o quão preocupados estão os donos das plantações do sisal e muitos dos trabalhadores. Antes de qualquer ilação, que fique claro que defendo a garantia dos direitos trabalhistas conforme as Leis, pois a nossa Carta Magna tem como princípio basilar a ‘dignidade da pessoa humana’. Defendo ainda que um acordo entre as partes estabeleça a legalidade dessa relação trabalhador-patrão para que ninguém fique prejudicado em seus direitos.

Contudo, meu ponto é: COMO SOLUCIONAR ESSE PROBLEMA ANTIGO E QUE DIVERSAS GERAÇÕES CONVIVE HÁ ANOS (ENTRA GOVERNO E SAI GOVERNO) SEM AFETAR DRASTICAMENTE TRABALHADORES E PRODUTORES DO SISAL?

Para compreendermos como o sisal ganhou toda essa relevância, precisamos, brevemente, voltar ao passado. 

Tudo começou nas décadas de 1940 e 1950 quando o então governador da Bahia Landulfo Alves incentivou o plantio do sisal para fins comerciais, quando foi instalada a primeira usina de beneficiamento de sisal na cidade Valente. Nas décadas de 1960 e 1970 a lavoura de sisal viveu seu apogeu, período em que o produto foi reconhecido como ouro verde do sertão. Em 1980 houve declínio na produção e de 1990 até os dias atuais houve a reestruturação do processo de beneficiamento e industrialização da fibra.

Trabalhadores em um campo de sisal(agave)

 

Até então, para a população sisaleira a planta é uma benção. Afinal de contas, foi através dela que muitas famílias conseguiram sobreviver, adquirir suas estruturas de vida: casa, carro, moto, abrir novos negócios, formar filhos em faculdades de medicina, direito, engenharia, etc. Foi também esse produto que colocou Conceição do Coité em destaque no mapa da economia brasileira como uma das melhores economias do semiárido baiano, ostentando até mesmo em seus símbolos oficiais - o título de rainha do sisal, exposto em bandeira. 

A grande verdade é que apesar dos altos e baixo Coité continua sendo referência porque conseguiu tão bem cultivar e capitalizar essa planta para promover o desenvolvimento socioeconômico desse lugar. Segundo dados da SEAGRI (Secretaria de Agricultura do Estado), a Bahia cultua 96% do Sisal brasileiro, praticamente toda a produção nacional que é de 80 mil toneladas por ano, sua cadeia de produção gera 300 mil empregos diretos e indiretos, de acordo com o SINDIFIBRAS (Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia). No total 12 indústrias fabricam e apenas seis exportam para os EUA, China, Portugal etc.

Sem ignorar os direitos trabalhistas que todos devem ter assegurados, pensemos friamente na tragédia que a paralisação dessas atividades causará no setor sisaleiro: por exemplo, somente no processo produtivo do sisal, ali na área rural, são envolvidos no mínimo 6 trabalhadores: um cortador de palha, um carregador de palha, um cevador, um resideiro, uma estendedeira e um “motorista”, neste caso, o dono da máquina paraibana ou dono da terra. Segundo informação apresentada na reportagem da TV Record, no Brasil são 12 mil trabalhadores informais e 1.000 motores rodando nos campos de sisal. Nas batedeiras são centenas de milhares de profissionais: mecânicos, motoristas, administradores, classificador, paieira, batedor, classificadora, prenseiro e catador de bucha, trabalhadores formais, com carteira assinada.

Tendo em vista a gravidade de tudo isso, como ficarão pais e mães de famílias com essa paralisação do trabalho? Como chegar a um meio termo para estabelecer direitos trabalhistas em acordo com trabalhadores do sisal, donos do motor e exportadores? Como a sociedade deve reagir, para além do pânico que se abateu nos municípios onde tem trabalhadores dessa área? De que modo os Poderes Públicos Municipais e Estadual está agindo para solucionar essa crise do sisal? 

É importante chegar a um meio termo para que nenhuma das partes seja prejudicada, já que essa é uma realidade trabalhista com a qual convivemos há décadas sob o manto dos poderes constituídos. Defendo que haja o melhor acordo possível, pois centenas de milhares de pessoas dependem do negócio do sisal para sobreviver e que cada um receba o que é seu por direito.

Por Renilson Pinto, Comunicólogo e estudante de Direito

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Renilson Pinto é natural de Jacobina, mas coiteense de coração. Apaixonado por comunicação ele é Comunicologo graduado pela UNEB, e atualmente é estudante de Direito pela FARESI.
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